segunda-feira

• Limpeza da cana a seco

'Reduz o consumo de água, os custos, preserva a qualidade da matéria prima e o ambiente.'


Segundo dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), há 20 anos as usinas captavam até 15 mil litros de água por tonelada de cana. Atualmente, a água que é utilizada nos processos de fabricação de açúcar e etanol nas usinas (lavagem da cana, embebição, resfriamento, fermentação, etc.) é em geral empregada em circuito fechado, ou seja, com reciclagem da água nos processos industriais, o que resulta numa captação média reduzida par 2 mil litros por tonelada de cana processada, redução de 90% em relação aos valores anteriores.


Uma dessas tecnologias que está ajudando o setor a reduzir a captação de água é a limpeza de cana-de-açúcar cujo princípio de funcionamento é um processo a seco, que dispensa a utilização de água e outros insumos, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) de Piracicaba, no interior paulista. A Estação de Limpeza a Seco possibilita a eliminação da lavagem da cana inteira e a limpeza da cana picada, que não pode ser lavada, pois a lavagem da cana picada acarreta significativas perdas de açúcar. Além disso, o sistema possibilita a recuperação da palha que pode ser queimada nas caldeiras, visando seu aproveitamento na geração de energia adicional nas usinas, bem como a terra e outras impurezas minerais removidas são devolvidas para as lavouras. O sistema revolucionário de limpeza a seco com trituração da palha é estudado desde a década de 90, o primeiro protótipo foi instalado na Usina Quatá, no município de mesmo nome, no interior de SP.






• Ecologicamente correta


Pensando na redução do consumo de água e na perda de açúcar na hora da lavagem, a Usina São José da Estiva, localizada em Novo Horizonte, SP, já conta com o novo equipamento de limpeza da cana.
Conforme explicou o supervisor de manutenção da Estiva, Milton Imaizumi, a cana que chega à indústria com impurezas como terra e palha, para que seja processada é necessário fazer uma limpeza. No método tradicional isso é feito com água. Já com o novo equipamento o uso de água é ínfimo. “O novo processo faz esta limpeza com jatos de ar. É uma alternativa eficiente e ecologicamente correta, pois um equipamento faz a separação de 70% da palha que vai para a caldeira como combustível; e a terra que cai em esteiras ou bandejas vazadas é descartada”

A água só é utilizada para tirar a areia que vai se depositando nas bandejas. Com isso, o volume usado é, em média, 50% menor, considerando que esta água em circuito fechado, ou seja, a mesma água retorna ao processo do início ao fim da safra, este número pode ser considerado zero, nos cálculos de Imaizumi. “Este processo traz benefícios para o meio ambiente ao poupar o consumo de água e para a produção de açúcar e etanol, uma vez que não tem o arraste de açúcar que ocorre na lavagem”.
Segundo Milton, a unidade que sempre busca soluções para a questão do uso racional da água encontrou com essa tecnologia inovadora, tanto é que a partir desta safra que se inicia já irá operar com o novo sistema e espera encontrar outras soluções para reduzir o impacto produzido pelo homem ao meio ambiente.




São José da Estiva: limpeza de cana a seco




• Nova alternativa

O engenheiro químico e industrial Milton Bignelli acompanha o setor há 43 safras, e um fato que lhe incomodava era observar que a cana ao passar pelo processo de limpeza, além de danificar o equipamento em função da terra, consumia muita água. Por isso, Bignelli resolveu desenvolver uma máquina para limpar a cana a seco sem comprometer o equipamento, foi aí que nasceu o Rot-Clean, lançado recentemente pela Anhanguera Equipamentos, de Cravinhos, SP, que há 30 anos atua no mercado de torres de resfriamento, além de realizar reparos em diversos equipamentos.
O Rot-Clean foi patenteado há cinco anos, passou por estudos, testes com protótipo em escala e depois testado em tamanho real para analisar seu verdadeiro desempenho. Segundo seu inventor, a máquina funcionou 100%. “É inevitável coletar cana sem terra. Então, mesmo que exista terra junto à cultura, a operação por ciclone é capaz de separar a palha para gerar energia, a terra é peneirada e o equipamento que gira em baixa velocidade se adapta à esteira. Como não se utiliza água, não há perda de sacarose. Além disso, o equipamento possibilita economizar água no circuito fechado, recupera a palha seca, reduz o consumo de óleo diesel no transporte e ainda a terra é retornada à lavoura seca”, salienta Bignelli.
O diretor da empresa, Marcelo Bignelli, explica que a máquina pioneira mede oito metros de comprimento por quatro metros de diâmetro, possui 12 lados, tem capacidade máxima de 15 metros e é fabricada em módulos. “Já temos um grupo interessado em conhecer nosso produto e verificar o custo benefício que ela proporciona”. A máquina, que pesa cerca de 40 toneladas, leva no mínimo quatro meses para ser fabricada e o investimento varia de acordo com a necessidade da usina.









2 comentários:

  1. Sou graduando de Engenharia de Computação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e atualmente um dos membros do Programa Educação Tutorial (PET), em que um de nossos projetos é fazer uma "mini-apostila" sobre a automação e a Indústria Sucroalcooleira.

    Gostaria de pedir autorização para o uso dessa imagem do Rot-Cleaner, ou informações de onde posso conseguir tal licença.

    Ressalvo que a imagem será usada para fins educativos e não comerciais, com citação da fonte das imagens.

    Desde já, obrigado!

    Endril Capelli da Silva (endril.caps@gmail.com)

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  2. Fiz um projeto de uma unidade de limpeza de cana a seco móvel , e estou a procura de um parceiro que financie a construção de m protótipo que deve custar R$ 400.000,00
    Deve limpar 1000 t/dia

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